De acordo com a PF, o grupo criminoso teria causado um prejuízo superior a R$ 45 milhões à instituição financeira por meio de documentos falsos de comprovação de renda, uso de laranjas e simulações de crédito habitacional para desvio de recursos.
A investigação começou após a Caixa identificar inconsistências em contratos imobiliários, que tinham em comum a assinatura técnica de um mesmo engenheiro Rodrigo Hoffmann. Ele se apresentava nas redes sociais como especialista em financiamentos habitacionais e investimentos no mercado imobiliário, chegando a oferecer mentorias e cursos on-line sobre o tema.
Atuação profissional e empresas ligadas
Formado em Engenharia Civil pela Universidade de Cuiabá (UNIC), Hoffmann também possui pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo Instituto Mato-Grossense de Pós-Graduação (IMP). Ele aparece como sócio em várias empresas do ramo da construção civil, entre elas:
Rodrigo Júnior Construtora e Incorporadora Ltda.
Hoffmann & Milani Arquitetura e Engenharia Ltda.
Prime Build Construtora e Incorporadora Ltda.
Engenharia do Financiamento Ltda.
Fortuna Negócios, Comércio e Serviços Financeiros Ltda.
Nas redes sociais, o engenheiro acumula 28 mil seguidores, com postagens sobre construção de casas, crédito imobiliário e incorporação, além de dicas para financiar imóveis sem capital próprio — método que, segundo a PF, era o ponto de partida das fraudes.
Como funcionava o esquema
As apurações apontam que o grupo utilizava documentos falsos para comprovar renda e obter créditos habitacionais irregulares. Parte dos contratos era feita em nome de terceiros (“laranjas”), que posteriormente transferiam os valores ou imóveis a pessoas ligadas à organização.
Além disso, houve triangulação de empréstimos e pagamento de boletos simulados para dar aparência de legalidade às operações. O esquema acabou desvirtuando políticas públicas de habitação, segundo a PF.
A Operação Agloe
Durante o cumprimento dos mandados, 50 policiais federais participaram da ação, que executou 17 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva e sequestro de bens de 84 pessoas físicas e jurídicas.
A Polícia Federal em Mato Grosso coordena as investigações, com apoio da Caixa Econômica Federal, e mantém o canal Comunica PF disponível pelo número (65) 99218-6164 e e-mail cs.srmt@pf.gov.br
para o recebimento de denúncias e informações sobre o caso.
O outro lado
A reportagem tentou contato com Rodrigo Hoffmann para obter posicionamento sobre as investigações, mas até o fechamento desta edição ele não se pronunciou publicamente.
Fonte: Folha 360
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