A experiência de enfrentar um câncer mudou a percepção de Virginia Mendes sobre a rotina e as dificuldades vividas por pacientes oncológicos. Em participação no podcast “Câncer Sem Papas na Língua”, ela relatou o diagnóstico de câncer de pâncreas, em 2022, falou sobre outros problemas de saúde enfrentados ao longo da vida e contou como o período de tratamento modificou sua relação com a doença e com as pessoas que passam pela mesma situação.
O episódio foi apresentado nesta terça-feira (22) ao vivo, a convite de Janaína Santana, presidente da Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (AAPOC), e também contou com a participação da jornalista Camila Capistrano e da fisioterapeuta especializada em oncologia Luciana Ferraz.
“Quando veio o câncer, eu achei que já tinha passado por tudo. E quando tive câncer, entendi o que os pacientes passam, porque a gente só entende quando está no lugar do outro”, afirmou Virginia.
Ela contou que já havia enfrentado um câncer benigno de pele, na região do couro cabeludo em 2022, porém no mesmo ano, recebeu o diagnóstico de câncer de pâncreas, após um período que, segundo ela, foi marcado por forte desgaste emocional.
Virginia relatou que vinha enfrentando ataques direcionados a ela e à família e chegou a acreditar que estava com depressão. Procurou atendimento médico e, posteriormente, viajou para São Paulo, onde passou por uma série de exames.
“Antes de descobrir, passei por uma situação de ataques. Minha família foi atacada, meu marido, meu filho. Foi muito doloroso. Cheguei a achar que estava com depressão. Mauro achava que, por conta dos ataques, eu estava abalada. Procurei um médico e ele passou uma medicação para eu tentar reagir, mas não adiantou. Depois fui para São Paulo, passei por uma bateria de exames e acabei descobrindo que estava com câncer no pâncreas”, relatou.
A angústia dos exames e do tratamento
Durante a conversa, Virginia destacou que uma das marcas deixadas pelo tratamento é a angústia que acompanha cada novo exame e retorno médico.
“Cada vez que a gente tem que retornar para fazer os exames é uma angústia. Só a gente que sabe”, contou.
Ela também relembrou outros momentos delicados relacionados à saúde. Entre eles está o transplante renal pelo qual passou, tendo o marido, Mauro Mendes, como doador.
“Fui transplantada. O Mauro foi meu doador. Foi uma bênção, porque é difícil alguém da família ser compatível, ele não tinha o mesmo sangue que eu, mas ele foi compatível”, afirmou.
Virginia também mencionou cirurgias cardíacas, a retirada do útero e a convivência com a fibromialgia. Segundo ela, a sucessão de experiências fez com que passasse a compreender de maneira mais próxima as dificuldades de quem depende de acompanhamento médico e tratamento contínuo.
“Eu entendo a dor das pessoas que passaram e passam por processos como hemodiálise e câncer. Eu entendo o que é ter fibromialgia, porque eu tenho. A gente só sabe o que o próximo vive quando passa pela mesma situação”, disse.
Apoio durante a recuperação
A fé e o apoio recebido durante os tratamentos também foram destacados por Virginia. Ela contou que as mensagens, cartas e orações enviadas por pessoas que acompanhavam sua recuperação ajudaram a enfrentar os períodos mais difíceis.
“Eu ficava preocupada com as pessoas que eu precisava cuidar. As pessoas oravam por mim. Mauro levava as cartas e os presentes que eu recebia, e isso me dava forças”, relatou.
A jornalista Camila Capistrano destacou a emoção provocada pelo relato. “Quando a gente ouve você contando, não consegue imaginar o que você viveu, e te escutar emociona”, afirmou.
Experiência pessoal e apoio aos pacientes
A vivência com o câncer também passou a influenciar a forma como Virginia fala sobre políticas e iniciativas voltadas aos pacientes oncológicos. Recentemente, ela visitou a unidade da AAPOC em Cuiabá e assumiu o compromisso de apoiar o trabalho desenvolvido pela associação.
Criada em 2020, a entidade informa que já realizou mais de 48 mil atendimentos em quatro anos. A associação oferece atendimento multidisciplinar a pacientes com câncer, incluindo homens, mulheres e crianças.
Entre as propostas defendidas por Virginia estão a ampliação do atendimento multidisciplinar, o fortalecimento de ações de prevenção e medidas que contribuam para o diagnóstico precoce.
“A gente precisa cuidar disso, trabalhar mais para que essas pessoas sejam cuidadas”, afirmou.
Para a fisioterapeuta Luciana Ferraz, a disposição de Virginia para atuar na área social está relacionada à própria trajetória de vida. “Quando você fala de cuidar das pessoas, esse é o seu porquê”, declarou.
Virginia, que também relembrou sua atuação voluntária em projetos sociais tanto na prefeitura de Cuiabá quanto no Estado e afirmou que o trabalho voltado às pessoas continua sendo uma de suas principais motivações. “O trabalho me deixa feliz e me motiva. Essa foi uma missão que Deus me deu”, afirmou.
Confira o podcast completo no link: https://www.youtube.com/live/rAG6OjwYAWc?is=DsZwFBRvvSObMmuC




